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2018

sexta, 14 julho 2017 12:59

Gabinete de Estudos: o desafio

A CSP viu recentemente reconhecido publicamente o seu âmbito nacional e a relevância dos interesses por si representados.

Se é verdade que a CSP abrange áreas muito diversificadas e que as actividades nela representadas correspondem a cerca de 20% do PIB, envolvem 184.000 postos de trabalho directos e mais de 150.000 indirectos e contribuem para cerca 1/3 da cobrança de IVA ao consumidor final, é também verdade, por outro lado, que a CSP pertence a um modelo de confederação diferente, tendo sempre procurado contribuir para o diálogo de qualidade e servir o melhor possível os seus Associados - entre os quais se encontram empresas com muitas décadas de história e que criam riqueza, investimento e emprego em Portugal de forma consistente e sustentável.

Com este sólido enquadramento - e como resultou de uma reflexão estratégica recentemente havida no interior da Confederação - a CSP deve, agora, conferindo prioridade à afirmação das suas ideias, construir uma agenda de intervenção própria e trabalhar para ter propostas suas para cada área de discussão em matéria de políticas públicas. Porque o seu modelo, o seu modo de entender a economia, a sua forma de ler a sociedade e o mundo são os de uma confederação diferente. Por isso, foi, aliás, criada!

A consistência não é adversária do crescimento. Pelo contrário, ter pensamento, estudá-lo e aprofundá-lo, é o mais poderoso dos capitais intemporais da CSP.

Para relançar o debate, vai ser preciso garantir que o Gabinete de Estudos funcione. E que esteja apto a reunir os mais qualificados, atraindo os melhores quadros e entidades disponíveis, para formar equipas variáveis, flexíveis e ágeis, bem entrosadas nos respectivos meios socioprofissionais, académicos e culturais e capazes de definir e propor posições que permitam à CSP torná-las suas, reflectindo o seu pensamento, distinguindo-a como Confederação.

Mas, se o pensamento é fundamental, vai ser preciso concretizá-lo e fazer de maneira a que a CSP responda efectivamente aos desafios concretos, seus e dos seus Associados.

O Gabinete de Estudos partilha os seus objectivos essenciais com os da Confederação – de outro modo não poderia ser! E estes abrangem genericamente políticas públicas, a modernização e a dinamização da economia - especialmente, a digital - e, mais em particular, a concretização de projectos de retoma do investimento e de criação de emprego, entre outros. No âmbito desta partilha, competirá ao Gabinete de Estudos contribuir para a melhoria do desempenho da Confederação fornecendo-lhe novos olhares e novos caminhos.

Nesta altura, estamos ainda na fase inicial de lançamento do Gabinete de Estudos. Esta webletter dá disso nota. Mas os grandes temas a tratar estão já identificados, a constituição da equipa principal está já em curso, a preparação de uma iniciativa do Gabinete de Estudos para a rentrée está já a ser trabalhada, a criação de, pelo menos, um Barómetro, está ser pensada, a existência de um Observatório está a ser equacionada, e outras iniciativas, onde se incluem, claro, estudos concretos, mas também análises, elaboração e formas de apresentação de propostas, estão já em avançado momento de ponderação.

Um compromisso final: o tratamento da informação recolhida, externa ou internamente à Confederação, através de fontes nacionais e estrangeiras, sê-lo-á sempre em base científica e seguindo as melhores práticas.

Eis, pois, como pensámos o Gabinete de Estudos, eis como iremos agir.

Este encargo que honrosamente acabei de assumir e que, em traços muito leves, aqui tive oportunidade de esboçar, assenta em dois pressupostos que são, ao mesmo tempo, dois objectivos maiores: o da utilidade de um Gabinete de Estudos para uma Confederação como a CSP, mas também – talvez, sobretudo - o da que terá para os destinatários do trabalho produzido. No fundo, concretizar estes dois objectivos maiores, é o desafio.

 

António Salvador

Vice-presidente da CSP e Coordenador do Gabinete de Estudos